narrativas visuais

CURUPIRA
entre encantamentos e diluições

A floresta guarda muitos mistérios. Seres encantados perambulam invisíveis por entre o verde que viceja nessa terra de abundância. A presença deles, só sentida pelo arrepio, quando aquele friozinho nos sobressalta, torna-nos ciente de que o reino da natureza é povoado por seres que evoluem por frequências não normais. Na mata, quando entramos, pensando estar só, os curupiras, caiporas, cobra-grande, sacis e caboclos encantados achegam para nos mirrar e dar sua graça ou não.  

 

Eles são guardiões de um reino mágico. Intuem as intenções dos que adentram em seu território. Eles são compassivos, pois, desprovidos de ambições, aguardam pacientemente que seus irmãos humanos encontrem o rumo que lhes conduzam ao salão da Natureza para bailar no passo apertadinho e bem juntinho com os manifestados desse reino encantado.

O Curupira é um mito cantado nas rodas do nosso folclore. Um espírito ardente em movimento constante. Um vulto! Um frio na barriga! Onde uma hora é forma sem forma a surgi aqui e acola; outra, um corpo adensado em pele, músculos, ossos… a se contorcer na ira da mecânica que lhe obriga a encarnar, sentir a gravidade que lhe enraíza em um solo úmido, orgânico, que fervilha vida.