narrativas visuais

VIVER EM SOLITUDE

“Solidão é quando você está sentindo falta do outro. Solitude é quando você está encontrando à si mesmo”. (Osho)

Estamos sempre em busca do outro, dos outros, do social para nos fazer sentir inseridos e queridos. A constância desse fazer acaba por nos submete a uma fuga cega por encontrar o nosso lugar em meio à multidão; empurrando-nos mais e mais para dentro de uma caixinha bem apertada, onde nos desconhecemos e anulamos a expressão do nosso ser que não se conformou em ser doutrinado pelo nascimento.

 

Viver em solitude me faz sentir o silêncio da noite. Esse estado convida-me a bailar as sutilezas do universo que gira em uma grande espiral ao meu redor. Uma ocorrência somente perceptível quando o ócio criativo é a vela guia a conduzir o barco ao destino impensável.

 

Conheci Sr. Manuel Messias há um tempo. Ele nasceu na proximidade da gruta da Lapa do Bode, às margens do rio Una, na Chapada Diamantina. Atualmente vive na cidade de Mucugê com sua família. Por muitos anos garimpou a serra da Chapada na esperança de bamburra um brilhante. O garimpo forjou um caráter resiliente e solitário. Os dias na serra em busca do diamante encantaram sua alma e coração. O céu estrelado, o silêncio da noite, o murmurinho das águas a correm pelos lajedos, a companhia de um cão e, às vezes, de um parceiro na sorte ensinaram a esse homem a viver, presentemente, na solitude de sua chácara em companhia dos animais, das plantações e das montanhas.

 

Do nosso último encontro, realizei essas fotos no intuito de narrar a poética de sua escolha em viver sozinho em meio a uma natureza tão intensa e contemplativa. Sensibiliza-me vê-lo. Provavelmente sinto nele o mesmo anseio que pulsa em mim. Uma vontade maior que sussurra encantos e encontros com própria alma. Uma força que nos conduz a adentrar na caverna para bamburrar o brilhante mais precioso. Um diamante que não pode ser lapidado por outros, a não ser pelo próprio garimpeiro.


Dhan Ribeiro

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